quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Respeito a diversidade

A relação entre pessoas do mesmo sexo por motivos históricos sempre gerou muito preconceito. Por outro lado ontem (21 de dezembro de 2009) o presidente Luís Inácio Lula da Silva lançou o programa de Direitos humanos que prevê o casamento gay e novamente este tema é colocado em debate no cenário nacional. Este tema é demasiado polêmico, pois a homofobia permeia a sociedade atual, mas uma luz está brilhando, demonstrando que o respeito coletivo à diversidade parece estar mais próximo.

É possível identificar importantes fatores históricos e atuais que influenciaram e influenciam o intenso desrespeito às diferentes orientações sexuais, dentre eles temos a forte incoerência disseminada por diversos segmentos da sociedade, guiadas principalmente por doutrinas religiosas, e o forte machismo que infelizmente ainda persiste.

Existem diversos textos sagrados que apresentam a visão de uma época, onde a homossexualidade era vista como depravação. Atualmente, ela é considerada por muitos como uma doença e não são raras as demonstrações públicas de intolerância e preconceito. Diversos textos são escritos sobre as “possíveis” origens da homossexualidade, o que não acontece com a heterossexualidade. As pessoas devem entender que as diversidades fazem parte da natureza.

O machismo também se apresenta como um forte fator para a homofobia. Ainda se presencia a mentalidade de superioridade do homem com relação a mulher, assim por essa mentalidade um homem não pode ser dominado (penetrado) por outro homem, pois ser dominado é algo exclusivo das mulheres.

A forma como nos expressamos muitas vezes também está permeada com termos e declarações com sentido preconceituoso, muitas vezes até sem termos consciência disto. O homossexualismo é um termo que remete a época em que a prática sexual entre pessoas do mesmo sexo era considerada perversão sexual (o sufixo ismo pela medicina refere-se à patologia). Atualmente, a forma mais adequada a se referir ao tema é homossexualidade, o sufixo “dade” significa modo de ser, comportamento.

Algumas pessoas do movimento LGBTT afirmam que o uso da expressão opção sexual, também é equivocada, afirmando que as pessoas não optam e sim apresentam orientação sexual. Essa constatação é um tanto mais polêmica que o uso do termo homossexualismo, entretanto, é coerente, pois ninguém opta ou escolhe gostar ou sentir atração por uma determinada pessoa (seja ela do sexo oposto ou não), isso simplesmente acontece.

A homofobia, infelizmente, se expressa de maneiras diversas, na forma de piadas, xingamentos, expressões e atos de violência verbal e física a homossexuais. Dados da Pesquisa "Política, Direitos, Violência e Homossexualidade" (CLAM/CeseC), realizada nas Paradas do Orgulho GLBT do Rio de Janeiro (2004), São Paulo (2005) e Recife (2006), mostram o quanto a homofobia está presente na sociedade brasileira: 61,5% dos entrevistados no Rio afirmaram já terem sido agredidos, 65,7% em São Paulo também já vivenciaram algum tipo de agressão e o mesmo aconteceu com 61,4% dos entrevistados na capital pernambucana. Declararam-se já terem sido discriminados 64,8% dos entrevistados no Rio, 72,1% em São Paulo e 70,8% em Recife.

Não é possível acreditar que estar com quem se ama, seja ela mulher ou homem, seja pecado ou doença. É difícil entender que as pessoas acreditam em um Deus que condena uma coisa tão linda como a relação amorosa entre pessoas e principalmente, que não aceita que as pessoas sejam felizes com suas opções (cadê o livre arbítrio?). A felicidade e realização, completam as pessoas e as fazem felizes, isso é o que mais importa, e nada nesse mundo pode interferir nisso.

A luta contra a homofobia tem ganhado proporções incríveis, assim como a luta contra o machismo e o racismo, e assim apesar de estarem ainda muito presentes em nossa sociedade, com o tempo mais adeptos unem e o programa de Direitos humanos parece ser um importante momento para debatermos estas questões.



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*por Priscila Figueiredo

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Dancem macacos, dancem



O filme "Dancem macacos, dancem", baseado no texto de Ernest Cline, elenca as diferenças dos seres humanos com os demais animais e seres vivos do planeta, ressalta suas contradições e enfatiza o fato da humanidade não se assumir como parte integrante da natureza, enfatizando constantemente as diferenças supracitadas. A abordagem do filme é muito interessante, pois estimula a reflexão sobre a nossa postura e a crise civilizatória decorrente dela. Preconceitos entre etnias, credos e cor da pele; as guerras e a violência em geral; constituem apenas algumas facetas desta sociedade louca. É no mínimo irônico pensar que um animal, que acredita ser o centro do universo e que se orgulha da sua capacidade intelectual, não consegue perceber que está sendo determinante na degradação ambiental e para a insustentabilidade de vida na Terra. 
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*por Priscila Figueiredo

Não seja corrupto/a


A corrupção é uma prática que está infelizmente entranhada no povo brasileiro. É uma ação tão corriqueira que a maioria das pessoas nem percebe que a pratica e isto se configura como um grande desafio a ser superado.


Atualmente, quando os grandes escândalos de corrupção são trazidos pela mídia, e comum ver todos e todas abismados/ as e indignados/as com a situação. Entretanto, poucos percebem é que suas práticas cotidianas também são recheadas de falta de ética. E isso é evidenciado em todos os âmbitos da nossa sociedade, inclusive entre universitários. Diversas situações ilustram essa situação. Ir a um estabelecimento e receber o troco a mais e não falar nada, furar a fila e utilizar materiais públicos para benefício pessoal são apenas alguns exemplos das atitudes que configuram o jeitinho brasileiro ou a malandragem histórica do nosso povo. Querer sempre tirar proveito de tudo, não participar da vida política do país ou querer participar apenas para benefício pessoal configuram também este cenário.

Todos abominam a corrupção dos políticos, mas é fato que muitos brasileiros e brasileiras adoram se beneficiar em todas as situações e provavelmente se estivessem em algum cargo público também agiriam assim. Portanto, esse debate é de suma importância, pois a corrupção atrasa o país e isso implica em tornar as condições mais precárias para a população e meio ambiente. Esta discussão deve ser levada para todos os cantos do país, e as salas de aula se configuram como um dos principais espaços de transformação desta mentalidade tão mesquinha e maléfica.




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*por Priscila Figueiredo

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Um pouco sobre a questão das drogas


A violência causada pelo tráfico e os excessivos gastos do estado para combatê-lo sem resultado nenhum, comprovam o fracasso da forma como lidamos com as drogas. A discussão sobre esta temática deve considerar uma importante premissa: a de que o uso de entorpecentes está presente na humanidade desde seus primórdios e a probabilidade é de que assim continuará sendo. Assumir isso é importante para entendermos que a proibição das drogas não inibe e não inibirá o uso delas. É preciso redefinir as políticas públicas.

Milhares de pessoas sofrem e morrem diariamente direta ou indiretamente devido ao crime organizado financiado pelo tráfico e pela guerra implantada pelo estado para extingui-lo. Além do dinheiro exorbitante gasto para o combate antidrogas, atualmente, os usuários de drogas são tratados como criminosos. Nesse sentido muito se avançou no país, com as recentes leis, mas estas não são suficientes para acabar com o preconceito e discriminação.  A legalização das drogas deve vir de forma gradativa e acoplada com diversas políticas públicas de conscientização da população sobre os malefícios das drogas e o tratamento de dependentes.  

Uma das primeiras ações é a legalização da maconha. Não existem motivos coerentes para a sua proibição. Na realidade o que poucos sabem é que a maconha não foi proibida porque faz mal à saúde, isso ocorreu por diversos outros motivos. Até porque nenhum mal sério a saúde foi comprovado pelo uso esporádico da erva. Dentre os fatores está o forte preconceito pelas pessoas que fumavam que no início do século XX eram predominantemente negros, árabes, mexicanos e chineses; o interesse de indústrias poderosas dos anos 20 que vendiam tecidos sintéticos e papel que queriam se livrar de um concorrente, o cânhamo; e o forte moralismo religioso da época que não aceitava a idéia de prazer sem merecimento.

A legalização da maconha seria um ponto importante para se reverter a situação atual, pois diversas pessoas deixariam de ter contato com o tráfico se pudessem comprar seu cigarrinho na esquina, ou até mesmo plantar em casa, o que é muito simples. Isso não acabaria com o tráfico, mas diminuiria o preconceito contra os usuários e seu contato com outras drogas mais fortes. Legalizar a maconha seria um grande avanço rumo a legalização completa.

A legalização das drogas representa que o estado deixará de gastar quantias exageradas no combate ao tráfico e poderá destiná-las para a educação da população e para a reabilitação de usuários que o necessitem. O estado não deve interferir na liberdade individual das pessoas, pois o estado não é dono do corpo de ninguém; assim como as pessoas não o podem interferir nas vidas das demais. Assim o papel do estado deve estar pautado em mediar para que as liberdades individuais não sejam desrespeitadas. 

O tema é complexo, mas é incontestável que a forma como lidamos com ele não tem contribuído com avanços, pelo contrário. Dessa forma, é preciso ter idéias a frente do nosso tempo, e construir alternativas coletivamente,  pois se mantivermos a mesma política antidrogas a tendência é que a guerra civil implantada se dissipe e se agrave em todos os cantos do país e do mundo.  

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* por Priscila Figueiredo

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Extensão Universitária: para quê?

A Universidade pública ou particular é uma instituição repleta de contradições, sejam relacionadas com sua forma de gestão quanto pela sua política pedagógica. A Universidade não é popular, apesar de o povo ser o que paga por tudo ou pela maior parte. Não é participativa apesar de se ensinar dentro dela a importância da democracia e participação popular. Em suas entranhas se vêem preconceitos, práticas educativas tradicionais que não promovem o aprendizado, etc. Assim, as incoerências estão principalmente relacionadas com a abismo existente entre o que se leciona e se “aprende” com as práticas efetivas de todas/os as/os acadêmicas/os.
A Universidade deve pautar-se em uma forte articulação entre Ensino, Pesquisa e Extensão, mas isso não é o que observamos nas Universidades brasileiras. O ensino é na maioria das vezes, fragmentado em seus próprios conteúdos. Já a pesquisa se pauta muito no ensino, pois precisa dele para sua existência, entretanto, a recíproca não é verdadeira. Muitos podem entrar e sair de uma instituição de ensino superior sem nunca nem ter realizado sequer um projeto de pesquisa, além do TCC (que muitas vezes é comprado). A extensão se utiliza da pesquisa para seu auxílio, mas a reciprocidade novamente não é verdadeira. Existem diversas pesquisas sendo realizadas no país inteiro e que não se articulam com nenhum aspecto extensionista. Por fim, não existe nenhum vínculo da extensão com o ensino. É evidente que existem muitas exceções, felizmente, mas a realidade da maioria dos cursos superiores não escapam desse quadro exposto. E não é preciso ler nenhuma pesquisa sobre isso para se comprovar, é necessário apenas ver que a Universidade interfere pouco diretamente na realidade social das cidades onde estão inseridas. Interferem indiretamente pois profissionalizam, mas diretamente pouco se vê. Não são raros os casos de pessoas que moram em uma cidade universitária e nunca entraram dentro da instituição, muito menos sabem o que se passa lá dentro.  Por isso a falta de articulação entre ensino, pesquisa e extensão se configura como um dos maiores problemas das universidades e também um de seus maiores desafios.
O ensino é muito valorizado, a pesquisa é muito financiada, mas poucos cursos são os que se preocupam com a extensão. O descaso com a extensão é muito preocupante, mas tem um motivo: quem que vive em uma sociedade capitalista e extremamente individualista e competitiva como a nossa quer “perder” seu tempo entrando em contato com o povo, propondo e lutando por um novo mundo. Atualmente, o que vale é o dinheiro e isso não dá dinheiro; traz melhoria para a população, como saúde, uma consciência mais ecológica e igualitária. Hoje, o interessante é uma coisa: produção. Produção de um currículo cada vez melhor, com muitos trabalhos publicados e apresentados em congressos caríssimos onde só vão aquelas mesmas pessoas de sempre; e produção de conhecimento que renda dinheiro ou status científico, como uma nova vacina, por exemplo, que é muito importante mas de nada vale se não houver um trabalho com a população para promover a conscientização.     
Assim, o papel da extensão universitária tem sido amplamente discutido nos últimos anos, debate este que perpassa à própria concepção de Universidade e seu papel social. Seguindo-se a lógica dialética observa-se que assim como a sociedade, a educação mudou ao passar dos anos e, desde o surgimento das Universidades o entendimento de seu propósito, tal como suas diretrizes e ações, têm sofrido transformações. É inconcebível pensar em uma instituição que produz conhecimento e que este muitas vezes não tem uma ação direta sobre a vida das pessoas. Veja bem, os TCC são um grande exemplo, neles muitas vezes se identificam problemas se pesquisa sobre eles, se propõem mudanças (ou não) e se escreve sobre isso. Mas fica a pergunta: Quantas pessoas voltam as suas fontes de pesquisa para efetivamente mudar o que foi analisado? Com certeza muito poucos, então para que serve esta pesquisa? Para aumentar o acervo e servir de referências para próximas pesquisas irrelevantes?
A educação é um dos mais importantes instrumentos de transformação da sociedade, mas apenas aquela que é de qualidade, que não reproduz práticas e teorias. Uma educação que inspira as pessoas a repensarem o seu papel na sociedade, e sejam como diria Gandhi a mudança que queremos ver no mundo.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

A História das Coisas


Annie Leonard, a mulher que escreveu e que aparece no filme consegue em pouco mais de 20 minutos resumir toda a crise civilizatória que vivemos. Sim, possuímos um sistema que está em crise. Como ela mesma disse, não podemos gerir um sistema linear em um planeta finito e acredito que esta seja uma das principais mensagens do filme. Juntamente com a reflexão de que existem muitas pessoas que se unem para mudar os diferentes aspectos desse sistema.
Atualmente, as conseqüências dos impactos ambientais e sociais provocados por esta forma de organização, produção e consumo têm gerado diversos debates e proposições. Entretanto, o governo e as grandes corporações ainda insistem defendendo que é possível manter esse sistema adotando-se medidas como a diminuição das emissões de gases poluentes e preservando as áreas naturais remanescentes.
Eu não acredito nisso, por diversos motivos, muitos deles levantados no filme como a questão do sistema ser linear. E outro que a autora não cita é a questão da natalidade. Não há um controle de natalidade efetivo na maioria dos países, até porque neste sistema o número da população deve sempre aumentar para que a cada geração se tenha mais jovens que estejam aptos a produzir cada vez mais. Além disso, evita problemas enfrentados em países da Europa, por exemplo, onde a população de idosos está superando a de jovens e isso gera um rombo na previdência. Assim, as áreas naturais preservadas, uma hora ou outra, deverão ser devastadas para suportar não só o consumismo fútil de cada vez mais pessoas, mas como a própria produção para subsistência. É por isso que esta questão é crucial. Todos e todas devem discutir as questões ambientais atreladas com as questões sociais. Assim como participar da construção de um novo modelo de sociedade.  Vamos mudar e vamos exigir coletivamente que o mundo mude.





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*por Priscila Figueiredo

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Emancipação ou fortalecimento multicampi na UESB?!


A Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia é uma instituição de ensino superior que como todas as outras têm passado por diversos problemas internos, principalmente vinculados a sua “multicampia”. A sede se encontra na cidade de Vitória da Conquista e os outros dois campi em Jequié e Itapetinga, cidades distintas com especificidades típicas. Existem experiências positivas de Universidades multicampi pelo país, mas este não é o caso desta. A má gestão, de forma centralizadora, não dá autonomia aos campi, nem financeira muito menos administrativamente. Isso gera uma dependência, incômodos e compromete a educação de qualidade, popular, com o tripé de ensino, pesquisa e extensão consolidado.
Muitas pessoas estão repensando a forma de gestão atual e conseqüentemente muitas estão lutando pela emancipação do campus de Jequié como uma alternativa de resolução para a situação imposta.

A luta pela emancipação a cada dia tem ganhado mais força, pois diversos grupos políticos têm feito intervenções em diversos segmentos da sociedade Jequiense. Mas fica a pergunta e dentro da Universidade? O que as comissões que estão discutindo esta questão tem feito para compartilhar com os acadêmicos, os prós e os contras de o campus se tornar uma nova Universidade? Sei que as forças políticas têm feito pesquisas, abaixo-assinados, mas e o debate? Sinceramente, dessa forma, como está sendo realizada não sou a favor da separação. De uma maneira autoritária, imposta, sem levar em conta a discussão imprescindível sobre qual Universidade queremos. Cada vez mais, acredito que é preciso discutir sobre a gestão e propor uma que seja participativa, que tenha uma Assistência Estudantil efetiva, que leve em conta a progressão de carreira e qualificação dos técnicos administrativos e diversas outras demandas. Não adianta lutar por uma Universidade nova se as práticas serão as mesmas, onde estudantes, técnicos e professores não são consultados. Tomara que a proposta de se fazer um seminário ampliado sobre o tema se concretize, no mais as eleições para a Reitoria estão aí, e independentemente se vamos separar ou não é importante estarmos antenados nas discussões, para que possamos realmente realizar uma eleição consciente e rica de idéias.

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*por Priscila Figueiredo

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Por uma mudança de concepção da mulher

Esse texto eu fiz em 2007, quando estávamos fundando o Coletivo Feminista Maria Quitéria, com o intuito de auxiliar nas nossas reflexões feministas. Espero que gostem ou não e que opinem. ; )



Nossa cultura atual dissemina diversas formas de opressão às mulheres. A desigualdade de relação quanto ao gênero, mesmo sendo admitida algumas vezes, não é reconhecido por muitas pessoas (inclusive mulheres) o que, junto com outros fatores, contribui para que a luta contra a opressão sofrida pelas mulheres perca força, faça com que as formas de abuso se perpetuem na nossa cultura para as próximas gerações e que a luta se estagne.


O grande desafio para as mulheres do nosso século é eliminarmos essa cultura de opressão. Mas para isso precisamos delimitar quais são essas formas de opressão, como elas agem e nos prejudicam, pois só assim poderemos mostrar de uma forma mais esclarecedora para a sociedade como nós somos oprimidas por essa cultura. Além disso, com essa delimitação, podemos apontar medidas realmente eficazes para a mudança de comportamento de todos, desde o modo como acreditamos ser o ideal que devemos ser tratadas por homens (e mulheres), até o direito a ter nosso espaço nos mais diversos campos da sociedade de forma igualitária.


O desafio é muito grande! Para sabermos como a cultura de opressão a mulher se manifesta precisamos inicialmente que entendamos nossas próprias diferenças e semelhanças com relação aos homens e também entre nós mesmas e sabermos como deve ser nossa atitude com relação a isso.


Uma frase importante para reflexão de Boaventura é a de que todos e todas temos o direito a sermos iguais quando a diferença nos inferioriza e o direto a sermos diferentes quando a igualdade nos descaracteriza. Esse pode ser considerado como um dos princípios fundamentais da luta feminina. Não queremos ser iguais em tudo e nem podemos, entretanto, desejamos que as nossas diferenças não façam com que os homens se sintam superiores e muitas vezes nos explorem, nos inferiorizem, nos tornem apenas objetos sexuais; não permitam que preenchamos lugares que inexplicavelmente são lugares “de homens”, como o próprio espaço na política, por exemplo; dentre outras muitas formas de opressão.


Devemos lutar por uma MUDANÇA da concepção da mulher na sociedade atual.


Outro ponto que não pode ser esquecido é que devemos admitir que o homem também sofre por imposições culturais e que devemos levar em consideração essa premissa na nossa luta, pois é evidente que sofremos muito mais com a cultura atual, mas somente com a admissão da opressão sofrida também pelo homem é que poderemos ter uma empatia mais satisfatória, o que fará com certeza que a mudança de pensamento possa ser iniciada por tod@s.


Levadas em conta todas essas premissas poderemos fortalecer a luta que é de tod@s nós. De todas que ainda crianças em nossas casas sentimos a diferença de tratamento entre nós filhas com relação aos nossos irmãos. É de todas que sofremos alguma violência sexual porque somos tratadas como objetos. É de todas que desejam um lugar no mercado de trabalho, mas sabem que muitas vezes sua condição de mulher não a permite de ocupar esse local. É de todas que muitas vezes ocupam os mesmos lugares que os homens, mas que são diferencialmente remuneradas. É de todas que desejam que o falso moralismo da sociedade acabe e que a mulher deixe de ter que se comportar com tantas inibições e imposições culturais. É de todas que estão cansadas de todos os adjetivos pejorativos de que somos alvo, por muitas vezes fazermos apenas o que os homens também fazem e que nem por isso são tão criticados. É de todas que querem poder ter o direito de escolher sobre suas próprias vidas. É de você estudante, dona de casa, trabalhadora e também de você homem que compreende e apóia nossa causa. A luta é nossa!

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*por Priscila Figueiredo

Indicação de dois textos de Paulo Freire do Livro Pedagogia da Indignação


FREIRE, Paulo. Segunda carta - Do direito e do dever de mudar o mundo. In: Pedagogia da indignação, cartas pedagógicas e outros escritos. 5ª ed. São Paulo, SP: Editora UNESP, 1997. p 53-63.

Falando de sonhos e utopias, Freire expõe suas convicções de luta, sua indignação sobre o condicionamento imposto e nos chama a importante tarefa de transformar o mundo para melhor, menos injusto. A necessidade dos sonhos para a concretude de tal anseio se faz constante, eles são projetos pelos quais se luta e requerem a lealdade de quem sonha. Mudar é difícil, mas devemos nos integrar à marcha dos que sabem que mudar é possível.


FREIRE, Paulo. Denúncia, anúncio, profecia, utopia e sonho. In: Pedagogia da indignação, cartas pedagógicas e outros escritos. 5ª ed. São Paulo, SP: Editora UNESP, 1997. p 117-134.

Freire propõe pensar o amanhã, que implica em sermos profetas que por meio da leitura do mundo possamos intuir sobre o que pode acontecer, implica em uma denúncia de como estamos vivendo e um anúncio de como poderíamos viver baseados em nossas utopias e sonhos. Através destas premissas, Freire analisa a situação atual, denunciando o tecnicismo da educação neoliberal e a posição fatalista forjada por este mesmo sistema. Freire escreve com paixão e nos convoca, mais uma vez, a lutar por uma sociedade diferente que perpassa na reinvenção de si mesmo e pela superação da economia do mercado atual.

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*por Priscila Figueiredo

Sobre o texto “Crise ambiental, educação e cidadania: os desafios da sustentabilidade emancipatória” de Gustavo Lima



Orientado pela premissa de tentar descobrir qual a contribuição do processo educativo para a resolução dos problemas socioambientais, Lima mapeia as principais tendências político-ideológicas da educação ambiental, assim como discute a sua politização. Algumas passagens históricas significativas são levantadas na obra para contextualizar a educação na crise socioambiental, como a Revolução Industrial, o episódio nuclear e as duas grandes guerras, episódios que marcaram a trajetória da cultura ocidental em sua relação com o meio ambiente natural e construído. O sistema político-econômico-social vigente provoca as desigualdades sociais ao mesmo tempo em que tem esgotado as reservas naturais, configurando a crise civilizatória vivenciada. O autor aponta que existem incompatibilidades essenciais entre as necessidades do mercado e a construção de uma sociedade sustentável, como a lucratividade imediata e o longo prazo dos investimentos necessários aos planos e práticas de sustentabilidade. Assim, o autor defende que a educação se configura como um instrumento capaz de contribuir com respostas a essa problemática junto aos demais meios políticos, econômicos, legais, éticos, científicos e técnicos. Embora a escola funcione como um sistema de reprodução da ordem dominante é possível exercer práticas críticas e assim pode se tornar um espaço possível e importante de luta, ainda que limitado. Lima retoma os fatos que iniciaram as discussões sobre a educação ambiental e como se deu a expansão do seu debate. Para o autor, a Educação Ambiental se relaciona com outros posicionamentos político-ideológicos e assim ele sugere um intervalo polarizado pelas duas concepções que estruturam o debate da sustentabilidade e da educação ambiental: conservadora e emancipatória. Caracterizando essas duas visões, o autor defende que a tendência emancipatória apresenta uma compreensão complexa e multidimensional da questão ambiental, ao contrário da conservadora que apresenta uma concepção reducionista. Além disso, o autor traz a reflexão sobre a politização da questão e da educação ambiental, argumentando que estamos diante de uma situação degenerativa de distorção ética, de perda da capacidade de se indignar mesmo ante ao absurdo. O autor nos diz que o processo de politização da educação supõe, portanto, a consideração do educando como portador de direitos e deveres, a abordagem do meio ambiente como bem público e no tratamento do acesso a um ambiente saudável como um direito de cidadania. Uma avaliação sobre as idéias do texto traz diversas reflexões importantes, como o papel da educação e nosso na luta contra a ordem dominante visando um mundo melhor, sustentável. Apesar de diversos aspectos serem interessantes e relevantes para análise serão apontados apenas dois: o entendimento da democracia como pré-requisito fundamental para a construção de uma sustentabilidade plural e sobre ao papel da escola como instrumento de superação da ordem dominante. O entendimento da democracia realmente se faz necessário para a compreensão dos problemas que a permeiam, visando o encontro de uma maior participação política cidadã em busca da sustentabilidade. Segundo Silva (2008), a sociedade atual, com seus valores e sua cultura, constitui-se em um ambiente profundamente desfavorável à participação política. A autora defende que a exclusão educacional e a transformação da política em um evento de marketing bianual são elementos que impulsionam a apatia política do conjunto da população. Assim, uma importante reflexão, é que apesar de vivermos em um Estado democrático, devemos lutar para a consolidação da prática política do povo que requer a recuperação da política como dever-cidadão e a elaboração de instrumentos participativos que permitam ao povo o protagonismo político (Silva, op. cit.). Outro elemento interessante do texto é referente ao papel da escola como instrumento de superação da ordem dominante. O autor assume o papel limitado da instituição, entretanto, é importante não se esquecer de sempre chamarmos à luta em defesa da escola e da educação de qualidade. Assim, é necessário sim exercer práticas críticas na escola, mas também é imprescindível acreditar que ela tem um papel fundamental e central na transformação da sociedade. Não podemos exagerar no reconhecimento do papel da escola como reprodutora da ideologia dominante. Freire (1991) nos diz que um dos equívocos dos que se exageram foi não ter percebido, envolvidos que ficaram pela explicação mecanicista da história, que a subjetividade joga um papel importante na luta histórica e que seres condicionados não são, porém, determinados. A presente obra apresenta uma escrita de qualidade, coerente e com validade social, tornando sua leitura agradável e com conteúdo. O autor levantou diversos aspectos sobre a crise socioambiental vivenciada, baseando-se em diversas referências renomadas, tornando sua obra substancial e de largo alcance. A obra pode ser indicada para um quadro amplo de pessoas, como estudantes, pesquisadores, professores e ativistas, por representar um interessante material para a compreensão de como se configura a situação atual e quais as perspectivas e iniciativas necessárias à sua transformação.

LIMA, Gustavo Ferreira da Costa. “Crise ambiental, educação e cidadania: os desafios da sustentabilidade emancipatória”. In: LAYRARGUES, P. P.; CASTRO, R. S.; LOUREIRO, C. F. B. (orgs.) Educação ambiental: repensando o espaço da cidadania, São Paulo:  Cortez, 2002.

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* por Priscila Figueiredo

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Dia da bandeira



Hoje foi o dia da bandeira. Engraçado que atualmente ninguém se lembra destas datas. Na TV Senado pude escutar um interessante comentário de Cristóvam Buarque sobre a nossa bandeira. Dizia ele que ela já não é mais tão verde, devido ao desmatamento; que não é mais amarela, pois todo seu ouro já foi saqueado e questiona se com o petróleo será da mesma forma. O céu azul está poluído e sua frase deveria ser entendida por todos, o que não ocorre pelo analfabetismo. E propõe que não devemos mudar a bandeira, mas mudar nossa postura. Achei muito relevante as reflexões do Senador e pertinente escrever algo sobre isso.





Atualmente, a discussão sobre o meio ambiente é global, muito se fala sobre o desmatamento da Amazônia, emissões de Dióxido de Carbono, mas devemos superar o debate ingênuo sobre o tema. A forma como nos organizamos já demonstrou seu fracasso. Pensar em um desenvolvimento sustentável é contraditório, pois não há compatibilidade entre o neoliberalismo e o meio ambiente. Esse sistema político ideológico está baseado no consumismo e na sua (in)conseqüente produção de lixo, como compatibilizar isso?! Realmente, o verde da nossa bandeira está comprometido, mas até quando vamos cruzar os braços ou defender o agronegócio e reprimir os movimentos que lutam pela reforma agrária?! Até quando vamos ver nossas riquezas serem saqueadas como foi nosso ouro? A Petrosal e a Petrobrás estão aí, mas só vamos efetivamente pensar em outras formas de energia quando o petróleo acabar?! Essa energia suja que só faz nosso céu ficar cada vez menos azul. A frase  da bandeira deveria ser substituída e Educação com certeza deveria fazer parte dela. Uma frase que fosse inspiradora, para que o povo brasileiro entendesse a necessidade de sua revolta. 


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* por Priscila Figueiredo

Homo sapiens e suas contradições


A religiosidade dogmática e nosso antropocentrismo são as principais causas da crise existencial que o ser humano e o resto da vida do planeta têm vivenciado. Não podemos mais nos colocar a parte da natureza, como se não fossemos parte dela. Somos animais!! Sim, nós somos!! E sinceramente se fomos feitos a imagem e semelhança de Deus, esse Deus é injusto, pois coloca um único ser em posição de destaque. E eu não acredito nele. Não quero depreciar o ser humano, mas não acredito que somos o centro da criação. Pois esse pensamento contribuiu e contribui muito para que todos e todas se sintam superiores, menosprezando as outras formas de vida do planeta e conseqüentemente gerando essa loucura, essa massiva extinção das espécies. Pensar que fazemos parte desse mundo requer que mudamos de atitude, que entendamos que o mundo tem um equilíbrio natural e que este deve ser mantido e respeitado. Que devemos rever a forma como nos organizamos como sociedade e entender que os recursos naturais são finitos. E mais importante devemos lutar por essas mudanças e existem vários caminhos para isso. Um deles é através do associativismo civil, em ONG´s, coletivos, movimentos sociais, partidos e também instituições religiosas, por que não?! Quando me refiro a religiosidade dogmática questiono o caráter incontestável de seus pressupostos, mas não a potencialidade de transformar o mundo. A religião cristã tão difundida no nosso país é a meu ver muito individualista, pois as pessoas entram nas Igrejas para seu conforto e salvação. Assim se afirma como o ópio do povo, segundo Marx já apontava. Jesus, um grande homem, um revolucionário, dizia: - Bem aventurados os que têm sede de justiça. Sei que têm muita gente bacana que freqüenta as Igrejas, mas não posso me furtar a dizer que outras (a maioria) não pratica esse que é um dos mais lindos ensinamentos de Cristo. Muitas pessoas acreditam que só quando todos conhecerem Jesus é que o mundo vai mudar. Assim, saem numa batalha incansável de evangelização. O caso é que se nos limitarmos aos ensinamentos não temos como entender os problemas do mundo e tentarmos resolvê-los então só conhecer Jesus não é suficiente. E eu acredito que esta não era a proposta do político e revolucionário nazareno. Precisamos nos informar, debater sobre as questões da atualidade. Devemos lutar por uma educação de qualidade emancipadora; pela igualdade de gênero e raça; pelo respeito as diferentes opções sexuais; pela justiça social, onde todos e todas tenham as mesmas condições dignas de vida; e mais, por um mundo sustentável que tem o Homo sapiens, como apenas mais uma espécie e não como aquela que está determinando a extinção da vida no planeta.

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por Priscila Figueiredo