quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Homo sapiens e suas contradições


A religiosidade dogmática e nosso antropocentrismo são as principais causas da crise existencial que o ser humano e o resto da vida do planeta têm vivenciado. Não podemos mais nos colocar a parte da natureza, como se não fossemos parte dela. Somos animais!! Sim, nós somos!! E sinceramente se fomos feitos a imagem e semelhança de Deus, esse Deus é injusto, pois coloca um único ser em posição de destaque. E eu não acredito nele. Não quero depreciar o ser humano, mas não acredito que somos o centro da criação. Pois esse pensamento contribuiu e contribui muito para que todos e todas se sintam superiores, menosprezando as outras formas de vida do planeta e conseqüentemente gerando essa loucura, essa massiva extinção das espécies. Pensar que fazemos parte desse mundo requer que mudamos de atitude, que entendamos que o mundo tem um equilíbrio natural e que este deve ser mantido e respeitado. Que devemos rever a forma como nos organizamos como sociedade e entender que os recursos naturais são finitos. E mais importante devemos lutar por essas mudanças e existem vários caminhos para isso. Um deles é através do associativismo civil, em ONG´s, coletivos, movimentos sociais, partidos e também instituições religiosas, por que não?! Quando me refiro a religiosidade dogmática questiono o caráter incontestável de seus pressupostos, mas não a potencialidade de transformar o mundo. A religião cristã tão difundida no nosso país é a meu ver muito individualista, pois as pessoas entram nas Igrejas para seu conforto e salvação. Assim se afirma como o ópio do povo, segundo Marx já apontava. Jesus, um grande homem, um revolucionário, dizia: - Bem aventurados os que têm sede de justiça. Sei que têm muita gente bacana que freqüenta as Igrejas, mas não posso me furtar a dizer que outras (a maioria) não pratica esse que é um dos mais lindos ensinamentos de Cristo. Muitas pessoas acreditam que só quando todos conhecerem Jesus é que o mundo vai mudar. Assim, saem numa batalha incansável de evangelização. O caso é que se nos limitarmos aos ensinamentos não temos como entender os problemas do mundo e tentarmos resolvê-los então só conhecer Jesus não é suficiente. E eu acredito que esta não era a proposta do político e revolucionário nazareno. Precisamos nos informar, debater sobre as questões da atualidade. Devemos lutar por uma educação de qualidade emancipadora; pela igualdade de gênero e raça; pelo respeito as diferentes opções sexuais; pela justiça social, onde todos e todas tenham as mesmas condições dignas de vida; e mais, por um mundo sustentável que tem o Homo sapiens, como apenas mais uma espécie e não como aquela que está determinando a extinção da vida no planeta.

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por Priscila Figueiredo

Um comentário:

  1. E ae Pri, to estreiando no blog... interessante essse teu texto de abertura. Em algumas turmas tenho trabalhado a questão evolutiva do homem, inclusive a dicotomia evolucionismo X criacionismo e a pseudo-dicotomia homem X natureza. E como essa última é perfeita... se por um lado a inteligência e racionalidade nos colocam a frente de outras espécies, por outro somos os únicos capazes de nos auto extinguir caso abusemos dessas habilidades. Ou seja, a pretensa superioridade talvez seja um caminho para o próprio fim, sacou? hehehe E dale Jesus " o revolucionário", com certeza 90% dos cristãos nem sequer conhecem a própria filosofia, só cumprem o ritual de domingo, no mais ou são assistencialistas ou são um bando de reaça...

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