sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Por uma mudança de concepção da mulher

Esse texto eu fiz em 2007, quando estávamos fundando o Coletivo Feminista Maria Quitéria, com o intuito de auxiliar nas nossas reflexões feministas. Espero que gostem ou não e que opinem. ; )



Nossa cultura atual dissemina diversas formas de opressão às mulheres. A desigualdade de relação quanto ao gênero, mesmo sendo admitida algumas vezes, não é reconhecido por muitas pessoas (inclusive mulheres) o que, junto com outros fatores, contribui para que a luta contra a opressão sofrida pelas mulheres perca força, faça com que as formas de abuso se perpetuem na nossa cultura para as próximas gerações e que a luta se estagne.


O grande desafio para as mulheres do nosso século é eliminarmos essa cultura de opressão. Mas para isso precisamos delimitar quais são essas formas de opressão, como elas agem e nos prejudicam, pois só assim poderemos mostrar de uma forma mais esclarecedora para a sociedade como nós somos oprimidas por essa cultura. Além disso, com essa delimitação, podemos apontar medidas realmente eficazes para a mudança de comportamento de todos, desde o modo como acreditamos ser o ideal que devemos ser tratadas por homens (e mulheres), até o direito a ter nosso espaço nos mais diversos campos da sociedade de forma igualitária.


O desafio é muito grande! Para sabermos como a cultura de opressão a mulher se manifesta precisamos inicialmente que entendamos nossas próprias diferenças e semelhanças com relação aos homens e também entre nós mesmas e sabermos como deve ser nossa atitude com relação a isso.


Uma frase importante para reflexão de Boaventura é a de que todos e todas temos o direito a sermos iguais quando a diferença nos inferioriza e o direto a sermos diferentes quando a igualdade nos descaracteriza. Esse pode ser considerado como um dos princípios fundamentais da luta feminina. Não queremos ser iguais em tudo e nem podemos, entretanto, desejamos que as nossas diferenças não façam com que os homens se sintam superiores e muitas vezes nos explorem, nos inferiorizem, nos tornem apenas objetos sexuais; não permitam que preenchamos lugares que inexplicavelmente são lugares “de homens”, como o próprio espaço na política, por exemplo; dentre outras muitas formas de opressão.


Devemos lutar por uma MUDANÇA da concepção da mulher na sociedade atual.


Outro ponto que não pode ser esquecido é que devemos admitir que o homem também sofre por imposições culturais e que devemos levar em consideração essa premissa na nossa luta, pois é evidente que sofremos muito mais com a cultura atual, mas somente com a admissão da opressão sofrida também pelo homem é que poderemos ter uma empatia mais satisfatória, o que fará com certeza que a mudança de pensamento possa ser iniciada por tod@s.


Levadas em conta todas essas premissas poderemos fortalecer a luta que é de tod@s nós. De todas que ainda crianças em nossas casas sentimos a diferença de tratamento entre nós filhas com relação aos nossos irmãos. É de todas que sofremos alguma violência sexual porque somos tratadas como objetos. É de todas que desejam um lugar no mercado de trabalho, mas sabem que muitas vezes sua condição de mulher não a permite de ocupar esse local. É de todas que muitas vezes ocupam os mesmos lugares que os homens, mas que são diferencialmente remuneradas. É de todas que desejam que o falso moralismo da sociedade acabe e que a mulher deixe de ter que se comportar com tantas inibições e imposições culturais. É de todas que estão cansadas de todos os adjetivos pejorativos de que somos alvo, por muitas vezes fazermos apenas o que os homens também fazem e que nem por isso são tão criticados. É de todas que querem poder ter o direito de escolher sobre suas próprias vidas. É de você estudante, dona de casa, trabalhadora e também de você homem que compreende e apóia nossa causa. A luta é nossa!

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*por Priscila Figueiredo

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