A violência causada pelo tráfico e os excessivos gastos do estado para combatê-lo sem resultado nenhum, comprovam o fracasso da forma como lidamos com as drogas. A discussão sobre esta temática deve considerar uma importante premissa: a de que o uso de entorpecentes está presente na humanidade desde seus primórdios e a probabilidade é de que assim continuará sendo. Assumir isso é importante para entendermos que a proibição das drogas não inibe e não inibirá o uso delas. É preciso redefinir as políticas públicas.
Milhares de pessoas sofrem e morrem diariamente direta ou indiretamente devido ao crime organizado financiado pelo tráfico e pela guerra implantada pelo estado para extingui-lo. Além do dinheiro exorbitante gasto para o combate antidrogas, atualmente, os usuários de drogas são tratados como criminosos. Nesse sentido muito se avançou no país, com as recentes leis, mas estas não são suficientes para acabar com o preconceito e discriminação. A legalização das drogas deve vir de forma gradativa e acoplada com diversas políticas públicas de conscientização da população sobre os malefícios das drogas e o tratamento de dependentes.
Uma das primeiras ações é a legalização da maconha. Não existem motivos coerentes para a sua proibição. Na realidade o que poucos sabem é que a maconha não foi proibida porque faz mal à saúde, isso ocorreu por diversos outros motivos. Até porque nenhum mal sério a saúde foi comprovado pelo uso esporádico da erva. Dentre os fatores está o forte preconceito pelas pessoas que fumavam que no início do século XX eram predominantemente negros, árabes, mexicanos e chineses; o interesse de indústrias poderosas dos anos 20 que vendiam tecidos sintéticos e papel que queriam se livrar de um concorrente, o cânhamo; e o forte moralismo religioso da época que não aceitava a idéia de prazer sem merecimento.A legalização da maconha seria um ponto importante para se reverter a situação atual, pois diversas pessoas deixariam de ter contato com o tráfico se pudessem comprar seu cigarrinho na esquina, ou até mesmo plantar em casa, o que é muito simples. Isso não acabaria com o tráfico, mas diminuiria o preconceito contra os usuários e seu contato com outras drogas mais fortes. Legalizar a maconha seria um grande avanço rumo a legalização completa.
A legalização das drogas representa que o estado deixará de gastar quantias exageradas no combate ao tráfico e poderá destiná-las para a educação da população e para a reabilitação de usuários que o necessitem. O estado não deve interferir na liberdade individual das pessoas, pois o estado não é dono do corpo de ninguém; assim como as pessoas não o podem interferir nas vidas das demais. Assim o papel do estado deve estar pautado em mediar para que as liberdades individuais não sejam desrespeitadas.
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* por Priscila Figueiredo

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