Annie Leonard, a mulher que escreveu e que aparece no filme consegue em pouco mais de 20 minutos resumir toda a crise civilizatória que vivemos. Sim, possuímos um sistema que está em crise. Como ela mesma disse, não podemos gerir um sistema linear em um planeta finito e acredito que esta seja uma das principais mensagens do filme. Juntamente com a reflexão de que existem muitas pessoas que se unem para mudar os diferentes aspectos desse sistema.
Atualmente, as conseqüências dos impactos ambientais e sociais provocados por esta forma de organização, produção e consumo têm gerado diversos debates e proposições. Entretanto, o governo e as grandes corporações ainda insistem defendendo que é possível manter esse sistema adotando-se medidas como a diminuição das emissões de gases poluentes e preservando as áreas naturais remanescentes.
Eu não acredito nisso, por diversos motivos, muitos deles levantados no filme como a questão do sistema ser linear. E outro que a autora não cita é a questão da natalidade. Não há um controle de natalidade efetivo na maioria dos países, até porque neste sistema o número da população deve sempre aumentar para que a cada geração se tenha mais jovens que estejam aptos a produzir cada vez mais. Além disso, evita problemas enfrentados em países da Europa, por exemplo, onde a população de idosos está superando a de jovens e isso gera um rombo na previdência. Assim, as áreas naturais preservadas, uma hora ou outra, deverão ser devastadas para suportar não só o consumismo fútil de cada vez mais pessoas, mas como a própria produção para subsistência. É por isso que esta questão é crucial. Todos e todas devem discutir as questões ambientais atreladas com as questões sociais. Assim como participar da construção de um novo modelo de sociedade. Vamos mudar e vamos exigir coletivamente que o mundo mude.
A Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia é uma instituição de ensino superior que como todas as outras têm passado por diversos problemas internos, principalmente vinculados a sua “multicampia”. A sede se encontra na cidade de Vitória da Conquista e os outros dois campi em Jequié e Itapetinga, cidades distintas com especificidades típicas. Existem experiências positivas de Universidades multicampi pelo país, mas este não é o caso desta. A má gestão, de forma centralizadora, não dá autonomia aos campi, nem financeira muito menos administrativamente. Isso gera uma dependência, incômodos e compromete a educação de qualidade, popular, com o tripé de ensino, pesquisa e extensão consolidado.
Muitas pessoas estão repensando a forma de gestão atual e conseqüentemente muitas estão lutando pela emancipação do campus de Jequié como uma alternativa de resolução para a situação imposta.
A luta pela emancipação a cada dia tem ganhado mais força, pois diversos grupos políticos têm feito intervenções em diversos segmentos da sociedade Jequiense. Mas fica a pergunta e dentro da Universidade? O que as comissões que estão discutindo esta questão tem feito para compartilhar com os acadêmicos, os prós e os contras de o campus se tornar uma nova Universidade? Sei que as forças políticas têm feito pesquisas, abaixo-assinados, mas e o debate? Sinceramente, dessa forma, como está sendo realizada não sou a favor da separação. De uma maneira autoritária, imposta, sem levar em conta a discussão imprescindível sobre qual Universidade queremos. Cada vez mais, acredito que é preciso discutir sobre a gestão e propor uma que seja participativa, que tenha uma Assistência Estudantil efetiva, que leve em conta a progressão de carreira e qualificação dos técnicos administrativos e diversas outras demandas. Não adianta lutar por uma Universidade nova se as práticas serão as mesmas, onde estudantes, técnicos e professores não são consultados. Tomara que a proposta de se fazer um seminário ampliado sobre o tema se concretize, no mais as eleições para a Reitoria estão aí, e independentemente se vamos separar ou não é importante estarmos antenados nas discussões, para que possamos realmente realizar uma eleição consciente e rica de idéias.
Esse texto eu fiz em 2007, quando estávamos fundando o Coletivo Feminista Maria Quitéria, com o intuito de auxiliar nas nossas reflexões feministas. Espero que gostem ou não e que opinem. ; )
Nossa cultura atual dissemina diversas formas de opressão às mulheres. A desigualdade de relação quanto ao gênero, mesmo sendo admitida algumas vezes, não é reconhecido por muitas pessoas (inclusive mulheres) o que, junto com outros fatores, contribui para que a luta contra a opressão sofrida pelas mulheres perca força, faça com que as formas de abuso se perpetuem na nossa cultura para as próximas gerações e que a luta se estagne.
O grande desafio para as mulheres do nosso século é eliminarmos essa cultura de opressão. Mas para isso precisamos delimitar quais são essas formas de opressão, como elas agem e nos prejudicam, pois só assim poderemos mostrar de uma forma mais esclarecedora para a sociedade como nós somos oprimidas por essa cultura. Além disso, com essa delimitação, podemos apontar medidas realmente eficazes para a mudança de comportamento de todos, desde o modo como acreditamos ser o ideal que devemos ser tratadas por homens (e mulheres), até o direito a ter nosso espaço nos mais diversos campos da sociedade de forma igualitária.
O desafio é muito grande! Para sabermos como a cultura de opressão a mulher se manifesta precisamos inicialmente que entendamos nossas próprias diferenças e semelhanças com relação aos homens e também entre nós mesmas e sabermos como deve ser nossa atitude com relação a isso.
Uma frase importante para reflexão de Boaventura é a de que todos e todas temos o direito a sermos iguais quando a diferença nos inferioriza e o direto a sermos diferentes quando a igualdade nos descaracteriza. Esse pode ser considerado como um dos princípios fundamentais da luta feminina. Não queremos ser iguais em tudo e nem podemos, entretanto, desejamos que as nossas diferenças não façam com que os homens se sintam superiores e muitas vezes nos explorem, nos inferiorizem, nos tornem apenas objetos sexuais; não permitam que preenchamos lugares que inexplicavelmente são lugares “de homens”, como o próprio espaço na política, por exemplo; dentre outras muitas formas de opressão.
Devemos lutar por uma MUDANÇA da concepção da mulher na sociedade atual.
Outro ponto que não pode ser esquecido é que devemos admitir que o homem também sofre por imposições culturais e que devemos levar em consideração essa premissa na nossa luta, pois é evidente que sofremos muito mais com a cultura atual, mas somente com a admissão da opressão sofrida também pelo homem é que poderemos ter uma empatia mais satisfatória, o que fará com certeza que a mudança de pensamento possa ser iniciada por tod@s.
Levadas em conta todas essas premissas poderemos fortalecer a luta que é de tod@s nós. De todas que ainda crianças em nossas casas sentimos a diferença de tratamento entre nós filhas com relação aos nossos irmãos. É de todas que sofremos alguma violência sexual porque somos tratadas como objetos. É de todas que desejam um lugar no mercado de trabalho, mas sabem que muitas vezes sua condição de mulher não a permite de ocupar esse local. É de todas que muitas vezes ocupam os mesmos lugares que os homens, mas que são diferencialmente remuneradas. É de todas que desejam que o falso moralismo da sociedade acabe e que a mulher deixe de ter que se comportar com tantas inibições e imposições culturais. É de todas que estão cansadas de todos os adjetivos pejorativos de que somos alvo, por muitas vezes fazermos apenas o que os homens também fazem e que nem por isso são tão criticados. É de todas que querem poder ter o direito de escolher sobre suas próprias vidas. É de você estudante, dona de casa, trabalhadora e também de você homem que compreende e apóia nossa causa. A luta é nossa!
FREIRE, Paulo. Segunda carta - Do direito e do dever de mudar o mundo. In: Pedagogia da indignação, cartas pedagógicas e outros escritos. 5ª ed. São Paulo, SP: Editora UNESP, 1997. p 53-63.
Falando de sonhos e utopias, Freire expõe suas convicções de luta, sua indignação sobre o condicionamento imposto e nos chama a importante tarefa de transformar o mundo para melhor, menos injusto. A necessidade dos sonhos para a concretude de tal anseio se faz constante, eles são projetos pelos quais se luta e requerem a lealdade de quem sonha. Mudar é difícil, mas devemos nos integrar à marcha dos que sabem que mudar é possível.
FREIRE, Paulo. Denúncia, anúncio, profecia, utopia e sonho. In: Pedagogia da indignação, cartas pedagógicas e outros escritos. 5ª ed. São Paulo, SP: Editora UNESP, 1997. p 117-134.
Freire propõe pensar o amanhã, que implica em sermos profetas que por meio da leitura do mundo possamos intuir sobre o que pode acontecer, implica em uma denúncia de como estamos vivendo e um anúncio de como poderíamos viver baseados em nossas utopias e sonhos. Através destas premissas, Freire analisa a situação atual, denunciando o tecnicismo da educação neoliberal e a posição fatalista forjada por este mesmo sistema. Freire escreve com paixão e nos convoca, mais uma vez, a lutar por uma sociedade diferente que perpassa na reinvenção de si mesmo e pela superação da economia do mercado atual.
Orientado pela premissa de tentar descobrir qual a contribuição do processo educativo para a resolução dos problemas socioambientais, Lima mapeia as principais tendências político-ideológicas da educação ambiental, assim como discute a sua politização. Algumas passagens históricas significativas são levantadas na obra para contextualizar a educação na crise socioambiental, como a Revolução Industrial, o episódio nuclear e as duas grandes guerras, episódios que marcaram a trajetória da cultura ocidental em sua relação com o meio ambiente natural e construído. O sistema político-econômico-social vigente provoca as desigualdades sociais ao mesmo tempo em que tem esgotado as reservas naturais, configurando a crise civilizatória vivenciada. O autor aponta que existem incompatibilidades essenciais entre as necessidades do mercado e a construção de uma sociedade sustentável, como a lucratividade imediata e o longo prazo dos investimentos necessários aos planos e práticas de sustentabilidade. Assim, o autor defende que a educação se configura como um instrumento capaz de contribuir com respostas a essa problemática junto aos demais meios políticos, econômicos, legais, éticos, científicos e técnicos. Embora a escola funcione como um sistema de reprodução da ordem dominante é possível exercer práticas críticas e assim pode se tornar um espaço possível e importante de luta, ainda que limitado. Lima retoma os fatos que iniciaram as discussões sobre a educação ambiental e como se deu a expansão do seu debate. Para o autor, a Educação Ambiental se relaciona com outros posicionamentos político-ideológicos e assim ele sugere um intervalo polarizado pelas duas concepções que estruturam o debate da sustentabilidade e da educação ambiental: conservadora e emancipatória. Caracterizando essas duas visões, o autor defende que a tendência emancipatória apresenta uma compreensão complexa e multidimensional da questão ambiental, ao contrário da conservadora que apresenta uma concepção reducionista. Além disso, o autor traz a reflexão sobre a politização da questão e da educação ambiental, argumentando que estamos diante de uma situação degenerativa de distorção ética, de perda da capacidade de se indignar mesmo ante ao absurdo. O autor nos diz que o processo de politização da educação supõe, portanto, a consideração do educando como portador de direitos e deveres, a abordagem do meio ambiente como bem público e no tratamento do acesso a um ambiente saudável como um direito de cidadania. Uma avaliação sobre as idéias do texto traz diversas reflexões importantes, como o papel da educação e nosso na luta contra a ordem dominante visando um mundo melhor, sustentável. Apesar de diversos aspectos serem interessantes e relevantes para análise serão apontados apenas dois: o entendimento da democracia como pré-requisito fundamental para a construção de uma sustentabilidade plural e sobre ao papel da escola como instrumento de superação da ordem dominante. O entendimento da democracia realmente se faz necessário para a compreensão dos problemas que a permeiam, visando o encontro de uma maior participação política cidadã em busca da sustentabilidade. Segundo Silva (2008), a sociedade atual, com seus valores e sua cultura, constitui-se em um ambiente profundamente desfavorável à participação política. A autora defende que a exclusão educacional e a transformação da política em um evento de marketing bianual são elementos que impulsionam a apatia política do conjunto da população. Assim, uma importante reflexão, é que apesar de vivermos em um Estado democrático, devemos lutar para a consolidação da prática política do povo que requer a recuperação da política como dever-cidadão e a elaboração de instrumentos participativos que permitam ao povo o protagonismo político (Silva, op. cit.). Outro elemento interessante do texto é referente ao papel da escola como instrumento de superação da ordem dominante. O autor assume o papel limitado da instituição, entretanto, é importante não se esquecer de sempre chamarmos à luta em defesa da escola e da educação de qualidade. Assim, é necessário sim exercer práticas críticas na escola, mas também é imprescindível acreditar que ela tem um papel fundamental e central na transformação da sociedade. Não podemos exagerar no reconhecimento do papel da escola como reprodutora da ideologia dominante. Freire (1991) nos diz que um dos equívocos dos que se exageram foi não ter percebido, envolvidos que ficaram pela explicação mecanicista da história, que a subjetividade joga um papel importante na luta histórica e que seres condicionados não são, porém, determinados. A presente obra apresenta uma escrita de qualidade, coerente e com validade social, tornando sua leitura agradável e com conteúdo. O autor levantou diversos aspectos sobre a crise socioambiental vivenciada, baseando-se em diversas referências renomadas, tornando sua obra substancial e de largo alcance. A obra pode ser indicada para um quadro amplo de pessoas, como estudantes, pesquisadores, professores e ativistas, por representar um interessante material para a compreensão de como se configura a situação atual e quais as perspectivas e iniciativas necessárias à sua transformação.
LIMA, Gustavo Ferreira da Costa. “Crise ambiental, educação e cidadania: os desafios da sustentabilidade emancipatória”. In: LAYRARGUES, P. P.; CASTRO, R. S.; LOUREIRO, C. F. B. (orgs.) Educação ambiental: repensando o espaço da cidadania, São Paulo: Cortez, 2002.
Hoje foi o dia da bandeira. Engraçado que atualmente ninguém se lembra destas datas. Na TV Senado pude escutar um interessante comentário de Cristóvam Buarque sobre a nossa bandeira. Dizia ele que ela já não é mais tão verde, devido ao desmatamento; que não é mais amarela, pois todo seu ouro já foi saqueado e questiona se com o petróleo será da mesma forma. O céu azul está poluído e sua frase deveria ser entendida por todos, o que não ocorre pelo analfabetismo. E propõe que não devemos mudar a bandeira, mas mudar nossa postura. Achei muito relevante as reflexões do Senador e pertinente escrever algo sobre isso.
Atualmente, a discussão sobre o meio ambiente é global, muito se fala sobre o desmatamento da Amazônia, emissões de Dióxido de Carbono, mas devemos superar o debate ingênuo sobre o tema. A forma como nos organizamos já demonstrou seu fracasso. Pensar em um desenvolvimento sustentável é contraditório, pois não há compatibilidade entre o neoliberalismo e o meio ambiente. Esse sistema político ideológico está baseado no consumismo e na sua (in)conseqüente produção de lixo, como compatibilizar isso?! Realmente, o verde da nossa bandeira está comprometido, mas até quando vamos cruzar os braços ou defender o agronegócio e reprimir os movimentos que lutam pela reforma agrária?! Até quando vamos ver nossas riquezas serem saqueadas como foi nosso ouro? A Petrosal e a Petrobrás estão aí, mas só vamos efetivamente pensar em outras formas de energia quando o petróleo acabar?! Essa energia suja que só faz nosso céu ficar cada vez menos azul. A frase da bandeira deveria ser substituída e Educação com certeza deveria fazer parte dela. Uma frase que fosse inspiradora, para que o povo brasileiro entendesse a necessidade de sua revolta.
A religiosidade dogmática e nosso antropocentrismo são as principais causas da crise existencial que o ser humano e o resto da vida do planeta têm vivenciado. Não podemos mais nos colocar a parte da natureza, como se não fossemos parte dela. Somos animais!! Sim, nós somos!! E sinceramente se fomos feitos a imagem e semelhança de Deus, esse Deus é injusto, pois coloca um único ser em posição de destaque. E eu não acredito nele. Não quero depreciar o ser humano, mas não acredito que somos o centro da criação. Pois esse pensamento contribuiu e contribui muito para que todos e todas se sintam superiores, menosprezando as outras formas de vida do planeta e conseqüentemente gerando essa loucura, essa massiva extinção das espécies. Pensar que fazemos parte desse mundo requer que mudamos de atitude, que entendamos que o mundo tem um equilíbrio natural e que este deve ser mantido e respeitado. Que devemos rever a forma como nos organizamos como sociedade e entender que os recursos naturais são finitos. E mais importante devemos lutar por essas mudanças e existem vários caminhos para isso. Um deles é através do associativismo civil, em ONG´s, coletivos, movimentos sociais, partidos e também instituições religiosas, por que não?! Quando me refiro a religiosidade dogmática questiono o caráter incontestável de seus pressupostos, mas não a potencialidade de transformar o mundo. A religião cristã tão difundida no nosso país é a meu ver muito individualista, pois as pessoas entram nas Igrejas para seu conforto e salvação. Assim se afirma como o ópio do povo, segundo Marx já apontava. Jesus, um grande homem, um revolucionário, dizia: - Bem aventurados os que têm sede de justiça. Sei que têm muita gente bacana que freqüenta as Igrejas, mas não posso me furtar a dizer que outras (a maioria) não pratica esse que é um dos mais lindos ensinamentos de Cristo. Muitas pessoas acreditam que só quando todos conhecerem Jesus é que o mundo vai mudar. Assim, saem numa batalha incansável de evangelização. O caso é que se nos limitarmos aos ensinamentos não temos como entender os problemas do mundo e tentarmos resolvê-los então só conhecer Jesus não é suficiente. E eu acredito que esta não era a proposta do político e revolucionário nazareno. Precisamos nos informar, debater sobre as questões da atualidade. Devemos lutar por uma educação de qualidade emancipadora; pela igualdade de gênero e raça; pelo respeito as diferentes opções sexuais; pela justiça social, onde todos e todas tenham as mesmas condições dignas de vida; e mais, por um mundo sustentável que tem o Homo sapiens, como apenas mais uma espécie e não como aquela que está determinando a extinção da vida no planeta.
Espaço destinado a pessoas interessadas em debater idéias, que queiram mudar o mundo verdadeiramente e que o fazem a partir de suas práticas individuais e coletivas. Sejam bem vindas/os compas.